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 Cinema e pensamento | On cinema and thought                                                                              @ André Dias

Ao pé da letra #47 (António Guerreiro)

«A nova literatura universal” produz equívocos

Um longo artigo na revista New Yorker sobre António Lobo Antunes teve por cá algum eco, pelo facto de não ser propriamente muito elogioso, ao contrário do que tem sido habitual na recepção deste escritor no estrangeiro. Lendo o artigo, podemos verificar que ele é bastante inócuo: muita circunstância histórica e biográfica, quase nada de leitura da obra. Temos aqui um exemplo do que são as regras da difusão e consagração de uma nova ‘literatura universal’ que, ao contrário do que parece, nada deve ao conceito goethiano de weltliteratur.


A questão da globalização da literatura coloca enormes problemas, na medida em que a relação com a tradição literária nacional é bastante importante na leitura e na apreciação de um escritor. Por isso, a recepção no estrangeiro de um autor pertencente a uma literatura pouco conhecida pode ser completamente diferente da que lhe está reservada no seu próprio país. No cânone desta literatura universal entra mais facilmente um escritor de todo o lado, porque não é de sítio nenhum, do que entraria um Joyce, apesar de tudo demasiado radicado na sua cultura irlandesa e na sua Dublin natal.»
António Guerreiro, «Ao pé da letra», Expresso-Actual, 9.5.2009.

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