Ao pé da letra #46 (António Guerreiro) «Há um marxismo vulgar que mudou hoje de campo Uma das formas mais reconhecíveis de um marxismo vulgar consistiu na caricatura dos capitalistas – reproduzida também na iconografia – como indivíduos ávidos de dinheiro e moralmente execráveis. É um marxismo vulgar, porque simplifica uma análise que nunca decorreu à psicologia e evitou qualquer moralismo. A caricatura do capitalista arrogante e diabólico não pede inspiração a Marx. | Não deixa por isso de ser curioso que uma nova vulgata, difundida por quem até há bem pouco tempo ria dessa caricatura e deduzia dela a própria vulgaridade do marxismo, se tenha apropriado dos seus traços negros e tenha começado a reproduzi-la num desenho ainda mais reprovador, sob a forma do capitalista sem escrúpulos, de uma avidez desmedida, que não respeita a “ética do capitalismo” (a alusão a Max Weber fica bem, mas é enganadora). Porque é que a caricatura dá agora tanto jeito? Porque, à semelhança do marximo vulgar, há um empirismo vulgar que vê a irracionalidade e a ganância no comportamento de certos indivíduos, salvando assim o processo louco e autodestrutivo que é o próprio sistema da mercadoria, no seu funcionamento tautológico.» António Guerreiro, «Ao pé da letra», Expresso-Actual, 2.5.2009. |
| Ainda não começámos a pensar
We have yet to start thinking
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Raros filmes (especial IndieLisboa 2009)
![]() Süt / Leite Semih Kaplanoglu 2008, 102’, 35mm IndieLisboa 2009 4ª, dia 29 Abril, 15h30 Sáb, dia 2 Maio, 15h30 City Classic Alvalade 3, Lisboa | ![]() Tôkiô sonata Kiyoshi Kurosawa 2008, 119’, IndieLisboa 2009 5ª, dia 30 Abril, 19h Museu do Oriente, Lisboa [atenção: projecção vídeo!] | ![]() Ruínas Manuel Mozos 2009, 60’ IndieLisboa 2009 6ª, dia 1 Maio, 17h45 Londres 2, Lisboa | ![]() Ballast Lance Hammer 2008, 92’, 35mm IndieLisboa 2009 6ª, dia 1 Maio, 18h15 City Classic Alvalade 3 |
![]() Die Große Ekstase des Bildschnitzers Steiner / The Great Ecstasy of the Woodcarver Steiner Werner Herzog 1974, 47’ Werner Herzog IndieLisboa 2009 6ª, dia 1 Maio, 19h – Fórum Lisboa |
Ao pé da letra #45 (António Guerreiro) «Da simbólica do livro à realidade do livro Prolongando o Dia Mundial do Livro, decidiu a APEL promover a Semana dos Livreiros. A astuciosa iniciativa decorre assim à boleia de uma evocação ecuménica do livro, da sua história gloriosa e dos seus mitos, o maior dos quais é o do Livro-Mundo (na versão de Leibniz, esse livro que é o Mundo teria sido escrito por Deus numa linguagem que é a das matemáticas). Se esta comemoração só tem algum sentido considerando a “simbólica do livro” (uma noção do grande romanista alemão Curtius), abstraindo-a da realidade da indústria livreira, quando os livreiros entram em cena nesta festa dificilmente sobrevive a dimensão simbólica. | Porque a verdade conspícua da maior parte das livrarias em Portugal é pouco compatível com tal glorificação simbólica. Pelo contrário, elas tornaram-se entrepostos da indústria do entretenimento, onde observamos o funcionamento eficaz desta lei: a difusão homogeneizada determina a uniformização da produção e, portanto, uma redução da oferta. Talvez não seja fácil saber onde se iniciou este círculo vicioso, mas as livrarias são, justa ou injustamente, a montra onde se exibe este espectáculo pouco edificante.» António Guerreiro, «Ao pé da letra», Expresso-Actual, 25.4.2009. |
Ao pé da letra #44 (António Guerreiro) «E, de repente, Nietzsche é um convidado clandestino O slogan de Vital Moreira – “Nós, europeus” – tem um autor intempestivo, secretamente convocado e retocado para uma festa que não é a sua: Friedrich Nietzsche. Foi ele quem escreveu, em Para Além do Bem e do Mal: “Nós, bons europeus, temos as nossas horas de nacionalismo, momentos em que nos deixamos mergulhar em velhos amores e seus estreitos horizontes”. Quem são os “bons europeus”? São os que recusam a “pequena Europa” burguesa e reaccionária, os que combatem a “infecção nacionalista”, os “herdeiros encarregados de obrigações milenares do espírito europeu”. | Para o discurso político, é difícil integrar os “bons europeus”, tanto mais que, em Nietzsche, tal adjectivo não é conforme à moral cristã e platónica. Evocar o “Nós, europeus” é muito mais fácil; mas é preciso que não se descubra que quem assim falou teve também estas palavras para designar quase a mesma coisa: “Nós, os sábios” e “Nós, os imoralistas”. Nietzsche, como teórico da ideia europeia, só clandestinamente pode entrar na festa eleitoral que aí vem. Gente respeitável e pouco dada à loucura não convive facilmente com quem abraça cavalos numa praça de Turim.» António Guerreiro, «Ao pé da letra», Expresso-Actual, 18.4.2009. |
A SISMOGRAFIA DA CULTURA17 Abr - 03 Jul 2009 - das 19:00 às 21:00 - Sextas - BIBLIOTECA, Museu de Serralves, Porto 21 ABR - 23 JUN 2009 - DAS 19:00 ÀS 21:00 - TERÇAS - Auditório, Rua Castilho, 165, LISBOA Nas duas primeiras décadas do século passado, os “diagnósticos da cultura”, motivados quase sempre por um profundo pessimismo cultural, tornaram-se quase um género autónomo. A metáfora do sismógrafo (ou outra metáfora da mesma família) é então usada por uma constelação de autores. Por exemplo: Aby Warburg, Hugo von Hofmannsthal, Karl Kraus e Walter Benjamin. Fazendo, muito embora, um breve percurso por este universo, deter-nos-emos em Aby Warburg (1866-1929) e Walter Benjamim (1892-1940), duas figuras maiores do século XX que contribuíram decisivamente para as configurações conceptuais do tempo em que vivemos (e, se Benjamin é um dos autores mais lidos e influentes nas áreas da teoria da cultura, da arte e da história, já Warburg permaneceu até há pouco tempo num certo desconhecimento, do qual emergiu em grande força na última década). A aproximar estes dois autores está uma concepção da história e da cultura que encontra na questão da imagem um dispositivo fundamental. A ideia de «imagem dialéctica» em Walter Benjamin pode ser posta a par da visão warburguiana da imagem como «fórmula de pathos», como energia onde se polariza a memória cultural e as leis da sua transmissão trans-histórica. Tentando construir um “Atlas das imagens», Warburg chega à ideia de uma esquizofrenia da cultura ocidental, sempre dividida entre o pólo racional e o pólo mágico-demoníaco; e é na «imagem dialéctica» que Benjamin concentra a sua ideia de que os fenómenos históricos só chegam ao «momento da sua cognoscibilidade» quando são postos em sincronia (ou em constelação) com momentos anteriores e posteriores da história. (Passagens por Walter Benjamin e Aby Warburg) Concepção e orientação: António Guerreiro |
Ao pé da letra #43 (António Guerreiro) «Os prémios literários tornaram-se uma caricatura A cerimónia de entrega do Prémio Leya teve o alto patrocínio do Presidente da República. Tal caução está no lugar de uma falta: a da instituição literária que legitime, consagre e assegure a existência pública do prémio. Projectados para um exterior que nada tem a ver com a literatura ou sujeitos às composições dos grupos e às afinidades tácticas e estratégicas que se criam no interior da “vida literária”, os prémios tornaram-se o episódio mais degradante do território sem autonomia a que outrora se chamava República das Letras. | A questão, hoje, já não é a de os prémios serem justos ou injustos (foi ainda nesses termos que Musil se referiu a eles e fez a caricatura do Grande Escritor), mas a de já nem se saber quem os outorga, o que eles visam e a que público (dos leitores?, dos consumidores?) é dirigida a publicidade a que os prémios aspiram. Há um longo capítulo da sociologia da literatura contemporânea que deve ser dedicado à progressiva deslegitimação dos prémios, o que levou, aliás, a uma situação frequente: o júri de hoje será o premiado de amanhã e vice-versa. Não se trata de ‘corrupção’: é a lei do estreitamento do Universo.» António Guerreiro, «Ao pé da letra»,Expresso-Actual, 10.4.2009. |
A imagem intolerável (Jacques Rancière)
«A questão do intolerável deve então ser deslocada. O problema não é o de saber se se deve ou não mostrar os horrores sofridos pelas vítimas desta ou daquela violência. Ele concerne a construção da vítima como elemento de uma certa distribuição do visível. Uma imagem nunca aparece sozinha. Pertence a um dispositivo de visibilidade que regula o estatuto dos corpos representados e o tipo de atenção que eles merecem. A questão é a de saber o tipo de atenção que provoca este ou aquele dispositivo. [...] [O] problema não é o de saber se se deve ou não fazer e olhar tais imagens, mas antes no seio de que dispositivo sensível o fazemos. [...] O tratamento do intolerável é então uma questão de dispositivo de visibilidade. Aquilo a que chamamos imagem é um elemento num dispositivo que cria um certo sentido de realidade, um certo sentido comum. Um “sentido comum” é antes de mais uma comunidade de dados sensíveis: coisas cuja visibilidade é suposta ser partilhável por todos, modos de percepção dessas coisas e significações igualmente partilháveis que lhes são conferidas. É em seguida a forma de estar em comum que religa indivíduos ou grupos na base dessa comunidade primeira entre as palavras e as coisas. O sistema de Informação é um “sentido comum” deste género: um dispositivo espacio-temporal no seio do qual palavras e formas visíveis são agregadas em dados comuns, em maneiras comuns de percepção, de ser afectado e de dar sentido. O problema não está em opor a realidade às suas aparências. Está em construir outras realidades, outras formas de sentido comum, quer dizer, outros dispositivos espacio-temporais, outras comunidades de palavras e coisas, formas e significações. Essa criação é o trabalho da ficção, que não consiste em contar histórias mas em estabelecer relações novas entre as palavras e as formas visíveis, a palavra e a escrita, um aqui e um além, um antes e um agora. [...] O problema não é o de saber se o real destes genocídios pode ser posto em imagens ou em ficção. É o de saber como é que o é, e que tipo de sentido comum é tecido por esta ou aquela ficção, pela construção desta ou daquela imagem. É o de saber que tipo de humanos a imagem nos mostra e a que tipo de humanos ela é destinada, que tipo de olhar e de consideração é criada por essa ficção. | Este deslocamento na abordagem da imagem é também um deslocamento na ideia de uma política das imagens. O uso clássico da imagem intolerável traçava uma linha a direito do espectáculo insuportável à consciência da realidade que ele exprimia e desta ao desejo de agir para a modificar. Mas essa ligação entre representação, saber e acção era uma pura pressuposição. A imagem intolerável, com efeito, retirava o seu poder de evidência dos cenários teóricos que permitiam identificar o seu conteúdo e da força dos movimentos políticos que os traduziam em práticas. O enfraquecimento desses cenários e desses movimentos produziu um divórcio, opondo o poder anestesiante da imagem à capacidade de compreender e à decisão de agir. A crítica do espectáculo e o discurso do irrepresentável ocuparam então a cena, alimentando uma suspeita global sobre a capacidade política de toda a imagem. O cepticismo presente é o resultado de um excesso de fé. Nasceu da desilusão da crença numa linha a direito entre percepção, afecção, compreensão e acção. Uma confiança nova na capacidade política das imagens supõe a crítica deste esquema estratégico. As imagens da arte não fornecem armas para os combates. Elas contribuem para o desenho das configurações novas do visível, do dizível e do pensável, e, por aí mesmo, de uma paisagem nova do possível. Mas elas fazem-no na condição de não antecipar o seu sentido nem o seu efeito. Jacques Rancière, «L'image intolérable», Le spectateur émancipé, Le Fabrique, 2008, Paris, pp. 108-113. |
Ao pé da letra #42 (António Guerreiro) «Será possível salvar quem corre para o suicídio? Na semana em que decorre na cidade de Perugia um encontro com o nome de operação de emergência, Cinco dias para salvar o jornalismo, apetece recordar Hegel: “A leitura do jornal é a oração matinal do homem moderno”. Já não é possível atribuir aos jornais a função de socialização da cultura e emancipação intelectual. Mas talvez estes tenham ido longe demais, alienando-se do público culto, da “esfera literária”, no sentido que tal expressão ganhou na época do Iluminismo. | Exemplifico com o jornal que me proporciona a oração matinal, o Público. Na secção “Escrito na pedra”, citava-se na semana passada uma frase de Paul Celan: “A poesia é uma espécie de boas-vindas”. Quem conhece os textos em prosa de Celan sabe que ele não escreveu tal coisa, mas sim: “O poema é uma espécie de regresso a casa” (“Eine Art Heimkehr”). Alguns dias depois, na mesma secção, surge outra citação deturpada de W. Benjamin. Por trás destes descuidos está o pressuposto funesto de que o leitor é ignorante e nem ousa querer sair desse estado de menoridade. Daí a regra paradoxal em que vivemos: os livros e os jornais, na sua maioria, são editados para quem não gosta de ler e não aspira ao saber.» António Guerreiro, «Ao pé da letra»,Expresso-Actual, 4.4.2009. |
Raros filmes de Abril
![]() Unsere Afrikareise Peter Kubelka 1966, 13’, 16mm Ouvir : Ver A experiência do som no cinema* (prog. Ricardo Matos Cabo) 4ª, dia 1, 21h30 Culturgest, Lisboa | ![]() La mujer sin cabeza Lucrecia Martel 2008, 87’ estreia 5ª, dia 2 14h, 16h, 18h, 20h, 22h, (00h) Medeia King 1, Lisboa | ![]() Le tempestaire Jean Epstein 1947, 22’, 35mm Ouvir : Ver 5ª, dia 2, 18h30 – Culturgest | ![]() Inazuma / Relâmpago Mikio Naruse 1952, 87’ Finalmente Naruse! 5ª, dia 2, 19h30 Cinemateca*, Lisboa |
![]() Song of Ceylon Basil Wright 1934, 37’, 35mm Ouvir : Ver 5ª, dia 2, 21h30 – Culturgest | ![]() Hallelujah Mauricio Kagel 1967, 40’, 16mm Ouvir : Ver Sáb, dia 4, 18h30 – Culturgest | ![]() Midaregumo / Nuvens dispersas Mikio Naruse 1967, 108’ Finalmente Naruse! 6ª, dia 17, 19h Cinemateca | ![]() Out of the past Jacques Tourneur 1947, 96’ História permanente do cinema Sáb, dia 18, 19h – Cinemateca |
![]() Yama no oto / A voz da montanha Mikio Naruse 1954, 96’ Finalmente Naruse! 3ª, dia 21, 19h – Cinemateca | ![]() Umberto D Vittorio De Sica 1952, 89’ 3ª, dia 21, 19h30 – Cinemateca | ![]() Midareru / Tormento Mikio Naruse 1964, 97’ Finalmente Naruse! 4ª, dia 22, 22h – Cinemateca | ![]() Lektionen in Finsternis / Lessons of darkness Werner Herzog 1992, 52’ Herói independente: Werner Herzog (prog. Grazia Paganelli) IndieLisboa 2009* 6ª, dia 24, 22h – Fórum Lisboa |
![]() Sud pralad / Tropical malady Apichatpong Weerasethakul 2004, 118’ Metamorfoses (prog. Dominique Païni) 2ª, dia 27, 22h – Cinemateca | ![]() Auch Zwerge habe klein angefangen / Even dwarfs started small Werner Herzog 1970, 96’ Werner Herzog IndieLisboa 2009 4ª, dia 29, 22h – Fórum Lisboa | ![]() Aguirre, der Zorn Gottes / Aguirre, the wrath of God Werner Herzog 1972, 93’ Werner Herzog IndieLisboa 2009 5ª, dia 30, 22h – Fórum Lisboa |
[apenas filmes vistos, sem repetições, em formatos originais]
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Ao pé da letra #41 (António Guerreiro) «O demónio da fraseologia tem efeitos perversos De Hannah Arendt, por mediação jornalística, chega até nós, em ocasiões favoráveis, muita “banalidade do mal”. A última ocasião maligna foi oferecida pelo austríaco Josef Fritzl. Banalizadas e quase sem mal, a noção de Arendt e toda a fraseologia que geralmente a acompanha já só nos conseguem fazer pensar que também há, em larga escala, uma banalidade do bem – o demónio da reversibilidade está sempre à espreita. Ao utilizar essa noção, a filósofa alemã estava a deslocar o conceito kantiano de “mal radical”. | Tendo assistido ao julgamento de um funcionário nazi, Arendt chegara à conclusão de que os actos eram monstruosos mas o responsável por eles era completamente vulgar, igual a toda a gente, sem nada de demoníaco, mais caracterizado pela falta de pensamento do que pela estupidez. Utilizando o qualificativo “banal” onde todos esperavam ver “radical” (e, desse modo, dando origem a uma enorme polémica), H. Arendt entendeu que “radical” é o que tem a ver com a profundidade das raízes, da vontade perversa e da maldade essencial das paixões. O que não era o caso daquele medíocre chamado Eichmann. E quanto a Josef Fritzl?» António Guerreiro, «Ao pé da letra», Expresso-Actual, 28.3.2009. |
Kunst der Vermittlung Aus den Archiven des Filmvermittelnden Films Art of Commenting From the Archives of Movie-Commenting Movies http://kunst-der-vermittlung.de The project of »Entuziam e.V. Freunde der Vermittlung von Film und Text«, which is funded by the German »Kulturstiftung des Bundes« and the »Bundeszentrale für Politische Bildung«, deals with the tradition and actual state of audiovisual tools and films and works of art for analysing cinema's history and aesthetics. We try to collect, portray and list films commenting on films and make available as much information as possible. In addition we have prepared 13 programmes in Vienna, Berlin, Cologne and Bremen with film-commenting movies and with international guests who are working in this field as authors, directors, producers, critics. The guests include Alain Bergala, Gustav Deutsch , Jean Douchet, Harun Farocki, Tag Gallagher, Alexander Horwath and many others. We are mainly focussed on five modes of production and distribution: – »Television«, which has, at least here in Germany and its strong PBS realm, a long tradition of producing movie-commenting movies, beginning in the 60's up till the now. – »Art« where from the beginning of the modernist movement movies like Bruce Connor's »A Movie« deal with film and it modes of production and representation. This includes »material«-movies as well as found-footage pieces. – »DVD« and its diverse practices of re-presenting existing material and also since the end of the 90ies producing supplementary films (bonus, featurette, interviews, slide-shows, audio-commentary tracks, etc.). – »Internet« and the practice of »user generated content«, distributed through platforms like »youtube« and »vimeo«, containing a wide range of aesthetic approaches. – »Education«, which was and is, at least in France, a major force for the production of film-commenting films. For example directors like Jean Eustache, Marc Allegret and Eric Rohmer made films about french film history during the 60ies, Jean Douchet directed movies about classic movies during the 80ies and critics like Alain Bergala are responsible for a wide range of analytical and educational movies distributed through DVDs from the end of the 90ies up till now. Through the means of a cross-referencing filmography we want to show and expand the possibilites of artistic approaches, research and education on film-history and aesthetics. Since we are only at the start of working on this kind of filmography the results are fairly small up till now. Our next three programmes in Berlin are about – experimental movies on movies (with Dirk Schaefer) on March 27 at Kino Arsenal, Berlin: Bruce Conner: A MOVIE USA 1958 Standish Lawder: COLOR FILM USA 1971 Abigail Child: COVERT ACTION USA 1984 Matthias Müller, Christoph Girardet: PHOENIX TAPES, »Bedroom« chapter GB/D 1999 Peter Tscherkassky: INSTRUCTIONS FOR A LIGHT AND SOUND MACHINE AUS 2005 Dirk Schaefer: VORFÜHRKOPIE D 2007 – internet-related forms of production and distribution (with Sebastian Lütgert from Berlin and Kevin B. Lee from NYC) and – film history (with Tag Gallagher). At the end of the project in July there will be a program with Jean Douchet from Paris. |
Ao pé da letra #40 (António Guerreiro) «O Dia Mundial da Poesia é uma invenção divertida Hoje, 21 de Março, é o Dia Mundial da Poesia. Esta data comemorativa está para as coisas da poesia como o Movimento Nacional Feminino estava para o teatro de operações da guerra colonial: é uma manifestação de voluntarismo e boa vontade que não interfere no curso dos acontecimentos. Sendo inócua, comporta no entanto o risco de insinuar que a poesia é uma causa que é preciso defender através dos meios da promoção cultural. | Ora, ao contrário do que parece à primeira vista, a poesia está muito mais protegida das actuais circunstâncias adversas do que, por exemplo, o romance. O romance como género literário tornou-se vítima do seu próprio sucesso e ficou enredado nas estratégias fatais da indústria editorial. Tudo é como sempre foi: há bons romances e maus romances; há boa poesia e má poesia. Mas o que é hoje diferente é a produção parasitária com que tem de se defrontar aquilo a que se chama ‘ficção’ nos suplementos literários. Um exemplo eloquente desta hipertrofia é a caracterização ad hoc que, para efeitos de recensão e divulgação, faz de tudo o que não é romance algo para o qual só há uma definição negativa: ‘não-ficção’.» António Guerreiro, «Ao pé da letra»,Expresso-Actual, 21.3.2009 [na mesma edição, um outro artigo mais longo sobre «A hipótese comunista». |
Ao pé da letra #39 (António Guerreiro) «A diferença entre cultura e natureza é insolúvel Na discussão sobre os casamentos homossexuais emerge constantemente a velha e insolúvel oposição entre natureza e cultura. De um lado, estão os que tentam encontrar uma lei natural, uma determinação da natureza, a-histórica, enquanto razão última de instituições e comportamentos; do outro, os que identificam como construção cultural e social (e, portanto, ideológica) aquilo onde os outros só vêem natureza. | Podemos mesmo dizer que passa por aqui a linha de fronteira mais marcada entre um pensamento de direita (fixado em fundamentos naturais) e um pensamento de esquerda (que pretende dismistificar e pôr em relevo os processos culturais). Invocar a ciência para resolver algumas questões não ajuda nada, como sabemos pela politização da biologia no século XX (nomeadamente a que foi realizada pelos nazis). E se a diferença entre homem e mulher é, no fundo, a matriz de todas as diferenças, quando passamos para noções como ‘masculino’ e ‘feminino’ já estamos no campo ideológico das convenções e das aprendizagens, como a história dos costumes não pára de nos ensinar. E se o sexo, seja ele homo ou hetero, não tivesse nunca nada de natural?» António Guerreiro, «Ao pé da letra»,Expresso-Actual, 14.3.2009. |
Una donna / fa paura / per pensare
Sáb, dia 14, 21h30 - Culturgest a realizadora falará no início da sessão sobre os seus projectos e filmes mais recentes
Giovanna Marini, «Ulrike Meinhof» in Correvano coi carri, Ala Bianca, 1979


























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