Ainda não começámos a pensar
                                               We have yet to start thinking
 Cinema e pensamento | On cinema and thought                                                                              @ André Dias

Raros filmes de Maio


Banditi a Orgosolo
Vittorio De Seta

1960, 91’
3ª, dia 5, 19h
Cinemateca*, Lisboa


Run of the arrow
Samuel Fuller

1956, 85’
História permanente do cinema
Sáb, dia 9, 19h – Cinemateca
[o filme na origem da expressão
“o travelling é uma questão de moral”]

L’ordre
Jean-Daniel Pollet
1973, 44’
História permanente do cinema
Sáb, dia 9, 22h – Cinemateca


Los olvidados
Luis Buñuel
1951, 80’
3ª, dia 12, 21h30 – Cinemateca

Several friends
1969, 21’
The horse

1973, 14’
Charles Burnett
Charles Burnett
5ª, dia 14, 22h – Cinemateca
 

Greed
Erich Stroheim
1924, 130’
História permanente do cinema
Sáb, dia 16, 19h30 – Cinemateca

Koshikei / O enforcamento
Nagisa Oshima
1968, 117’, 35mm
Eros + Revolta. O novo cinema japonês
dos anos 60* (prog. Augusto M. Seabra)
Dom, dia 17, 18h30 – Culturgest


Tabi yakusha /
Actores ambulantes
Mikio Naruse
1940, 70’
Finalmente Naruse!
4ª, dia 27, 22h – Cinemateca


Das Testament des Dr. Mabuse
Fritz Lang
1933, 120’
História permanente do cinema
Sáb, dia 30, 19h30 – Cinemateca


Faces
John Cassavetes

1968, 130’
História permanente do cinema
Sáb, dia 30, 21h30 – Cinemateca


[apenas filmes vistos, sem repetições, em formatos originais]

Ao pé da letra #46 (António Guerreiro)


«Há um marxismo vulgar que mudou hoje de campo

Uma das formas mais reconhecíveis de um marxismo vulgar consistiu na caricatura dos capitalistas – reproduzida também na iconografia – como indivíduos ávidos de dinheiro e moralmente execráveis. É um marxismo vulgar, porque simplifica uma análise que nunca decorreu à psicologia e evitou qualquer moralismo. A caricatura do capitalista arrogante e diabólico não pede inspiração a Marx.


Não deixa por isso de ser curioso que uma nova vulgata, difundida por quem até há bem pouco tempo ria dessa caricatura e deduzia dela a própria vulgaridade do marxismo, se tenha apropriado dos seus traços negros e tenha começado a reproduzi-la num desenho ainda mais reprovador, sob a forma do capitalista sem escrúpulos, de uma avidez desmedida, que não respeita a “ética do capitalismo” (a alusão a Max Weber fica bem, mas é enganadora). Porque é que a caricatura dá agora tanto jeito? Porque, à semelhança do marximo vulgar, há um empirismo vulgar que vê a irracionalidade e a ganância no comportamento de certos indivíduos, salvando assim o processo louco e autodestrutivo que é o próprio sistema da mercadoria, no seu funcionamento tautológico.»
António Guerreiro, «Ao pé da letra», Expresso-Actual, 2.5.2009.

Raros filmes (especial IndieLisboa 2009)


Süt Leite
Semih Kaplanoglu
2008, 102’, 35mm
IndieLisboa 2009
4ª, dia 29 Abril, 15h30
Sáb, dia 2 Maio, 15h30 
City Classic Alvalade 3, Lisboa


Tôkiô sonata
Kiyoshi Kurosawa

2008, 119’, 35mm
IndieLisboa 2009
5ª, dia 30 Abril, 19h
Museu do Oriente, Lisboa
[atenção: projecção vídeo!]


Ruínas
Manuel Mozos
2009, 60’
IndieLisboa 2009

6ª, dia 1 Maio, 17h45
Londres 2, Lisboa


Ballast
Lance Hammer
2008, 92’, 35mm
IndieLisboa 2009

6ª, dia 1 Maio, 18h15
City Classic Alvalade 3


Die Große Ekstase des 
Bildschnitzers Steiner / 
The Great Ecstasy of the 
Woodcarver Steiner

Werner Herzog
1974, 47’
Werner Herzog
IndieLisboa 2009

6ª, dia 1 Maio, 19h – Fórum Lisboa

Ao pé da letra #45 (António Guerreiro)

«Da simbólica do livro à realidade do livro

Prolongando o Dia Mundial do Livro, decidiu a APEL promover a Semana dos Livreiros. A astuciosa iniciativa decorre assim à boleia de uma evocação ecuménica do livro, da sua história gloriosa e dos seus mitos, o maior dos quais é o do Livro-Mundo (na versão de Leibniz, esse livro que é o Mundo teria sido escrito por Deus numa linguagem que é a das matemáticas). Se esta comemoração só tem algum sentido considerando a “simbólica do livro” (uma noção do grande romanista alemão Curtius), abstraindo-a da realidade da indústria livreira, quando os livreiros entram em cena nesta festa dificilmente sobrevive a dimensão simbólica.


Porque a verdade conspícua da maior parte das livrarias em Portugal é pouco compatível com tal glorificação simbólica. Pelo contrário, elas tornaram-se entrepostos da indústria do entretenimento, onde observamos o funcionamento eficaz desta lei: a difusão homogeneizada determina a uniformização da produção e, portanto, uma redução da oferta. Talvez não seja fácil saber onde se iniciou este círculo vicioso, mas as livrarias são, justa ou injustamente, a montra onde se exibe este espectáculo pouco edificante.»
António Guerreiro, «Ao pé da letra», Expresso-Actual, 25.4.2009.

Ao pé da letra #44 (António Guerreiro)

«E, de repente, Nietzsche é um convidado clandestino

O slogan de Vital Moreira – “Nós, europeus” – tem um autor intempestivo, secretamente convocado e retocado para uma festa que não é a sua: Friedrich Nietzsche. Foi ele quem escreveu, em Para Além do Bem e do Mal: “Nós, bons europeus, temos as nossas horas de nacionalismo, momentos em que nos deixamos mergulhar em velhos amores e seus estreitos horizontes”. Quem são os “bons europeus”? São os que recusam a “pequena Europa” burguesa e reaccionária, os que combatem a “infecção nacionalista”, os “herdeiros encarregados de obrigações milenares do espírito europeu”.


Para o discurso político, é difícil integrar os “bons europeus”, tanto mais que, em Nietzsche, tal adjectivo não é conforme à moral cristã e platónica. Evocar o “Nós, europeus” é muito mais fácil; mas é preciso que não se descubra que quem assim falou teve também estas palavras para designar quase a mesma coisa: “Nós, os sábios” e “Nós, os imoralistas”. Nietzsche, como teórico da ideia europeia, só clandestinamente pode entrar na festa eleitoral que aí vem. Gente respeitável e pouco dada à loucura não convive facilmente com quem abraça cavalos numa praça de Turim.»
António Guerreiro, «Ao pé da letra», Expresso-Actual, 18.4.2009.


Fundação


A SISMOGRAFIA DA CULTURA

17 Abr - 03 Jul 2009 - das 19:00 às 21:00 - Sextas - BIBLIOTECA, Museu de Serralves, Porto 
21 ABR - 23 JUN 2009 - DAS 19:00 ÀS 21:00 - TERÇAS - Auditório, Rua Castilho, 165, LISBOA 

Nas duas primeiras décadas do século passado, os “diagnósticos da cultura”, motivados quase sempre por um profundo pessimismo cultural, tornaram-se quase um género autónomo. A metáfora do sismógrafo (ou outra metáfora da mesma família) é então usada por uma constelação de autores. Por exemplo: Aby Warburg, Hugo von Hofmannsthal, Karl Kraus e Walter Benjamin.
Fazendo, muito embora, um breve percurso por este universo, deter-nos-emos em Aby Warburg (1866-1929) e Walter Benjamim (1892-1940), duas figuras maiores do século XX que contribuíram decisivamente para as configurações conceptuais do tempo em que vivemos (e, se Benjamin é um dos autores mais lidos e influentes nas áreas da teoria da cultura, da arte e da história, já Warburg permaneceu até há pouco tempo num certo desconhecimento, do qual emergiu em grande força na última década). A aproximar estes dois autores está uma concepção da história e da cultura que encontra na questão da imagem um dispositivo fundamental. A ideia de «imagem dialéctica» em Walter Benjamin pode ser posta a par da visão warburguiana da imagem como «fórmula de pathos», como energia onde se polariza a memória cultural e as leis da sua transmissão trans-histórica. Tentando construir um “Atlas das imagens», Warburg chega à ideia de uma esquizofrenia da cultura ocidental, sempre dividida entre o pólo racional e o pólo mágico-demoníaco; e é na «imagem dialéctica» que Benjamin concentra a sua ideia de que os fenómenos históricos só chegam ao «momento da sua cognoscibilidade» quando são postos em sincronia (ou em constelação) com momentos anteriores e posteriores da história.

(Passagens por Walter Benjamin e Aby Warburg)

Concepção e orientação: António Guerreiro

Ao pé da letra #43 (António Guerreiro)

«Os prémios literários tornaram-se uma caricatura

A cerimónia de entrega do Prémio Leya teve o alto patrocínio do Presidente da República. Tal caução está no lugar de uma falta: a da instituição literária que legitime, consagre e assegure a existência pública do prémio. Projectados para um exterior que nada tem a ver com a literatura ou sujeitos às composições dos grupos e às afinidades tácticas e estratégicas que se criam no interior da “vida literária”, os prémios tornaram-se o episódio mais degradante do território sem autonomia a que outrora se chamava República das Letras.


A questão, hoje, já não é a de os prémios serem justos ou injustos (foi ainda nesses termos que Musil se referiu a eles e fez a caricatura do Grande Escritor), mas a de já nem se saber quem os outorga, o que eles visam e a que público (dos leitores?, dos consumidores?) é dirigida a publicidade a que os prémios aspiram. Há um longo capítulo da sociologia da literatura contemporânea que deve ser dedicado à progressiva deslegitimação dos prémios, o que levou, aliás, a uma situação frequente: o júri de hoje será o premiado de amanhã e vice-versa. Não se trata de ‘corrupção’: é a lei do estreitamento do Universo.»

António Guerreiro, «Ao pé da letra»,Expresso-Actual
, 10.4.2009.

A imagem intolerável (Jacques Rancière)

«A questão do intolerável deve então ser deslocada. O problema não é o de saber se se deve ou não mostrar os horrores sofridos pelas vítimas desta ou daquela violência. Ele concerne a construção da vítima como elemento de uma certa distribuição do visível. Uma imagem nunca aparece sozinha. Pertence a um dispositivo de visibilidade que regula o estatuto dos corpos representados e o tipo de atenção que eles merecem. A questão é a de saber o tipo de atenção que provoca este ou aquele dispositivo. [...]
[O] problema não é o de saber se se deve ou não fazer e olhar tais imagens, mas antes no seio de que dispositivo sensível o fazemos. [...]
O tratamento do intolerável é então uma questão de dispositivo de visibilidade. Aquilo a que chamamos imagem é um elemento num dispositivo que cria um certo sentido de realidade, um certo sentido comum. Um “sentido comum” é antes de mais uma comunidade de dados sensíveis: coisas cuja visibilidade é suposta ser partilhável por todos, modos de percepção dessas coisas e significações igualmente partilháveis que lhes são conferidas. É em seguida a forma de estar em comum que religa indivíduos ou grupos na base dessa comunidade primeira entre as palavras e as coisas. O sistema de Informação é um “sentido comum” deste género: um dispositivo espacio-temporal no seio do qual palavras e formas visíveis são agregadas em dados comuns, em maneiras comuns de percepção, de ser afectado e de dar sentido. O problema não está em opor a realidade às suas aparências. Está em construir outras realidades, outras formas de sentido comum, quer dizer, outros dispositivos espacio-temporais, outras comunidades de palavras e coisas, formas e significações.
Essa criação é o trabalho da ficção, que não consiste em contar histórias mas em estabelecer relações novas entre as palavras e as formas visíveis, a palavra e a escrita, um aqui e um além, um antes e um agora. [...] O problema não é o de saber se o real destes genocídios pode ser posto em imagens ou em ficção. É o de saber como é que o é, e que tipo de sentido comum é tecido por esta ou aquela ficção, pela construção desta ou daquela imagem. É o de saber que tipo de humanos a imagem nos mostra e a que tipo de humanos ela é destinada, que tipo de olhar e de consideração é criada por essa ficção.
Este deslocamento na abordagem da imagem é também um deslocamento na ideia de uma política das imagens. O uso clássico da imagem intolerável traçava uma linha a direito do espectáculo insuportável à consciência da realidade que ele exprimia e desta ao desejo de agir para a modificar. Mas essa ligação entre representação, saber e acção era uma pura pressuposição. A imagem intolerável, com efeito, retirava o seu poder de evidência dos cenários teóricos que permitiam identificar o seu conteúdo e da força dos movimentos políticos que os traduziam em práticas. O enfraquecimento desses cenários e desses movimentos produziu um divórcio, opondo o poder anestesiante da imagem à capacidade de compreender e à decisão de agir. A crítica do espectáculo e o discurso do irrepresentável ocuparam então a cena, alimentando uma suspeita global sobre a capacidade política de toda a imagem. O cepticismo presente é o resultado de um excesso de fé. Nasceu da desilusão da crença numa linha a direito entre percepção, afecção, compreensão e acção. Uma confiança nova na capacidade política das imagens supõe a crítica deste esquema estratégico. As imagens da arte não fornecem armas para os combates. Elas contribuem para o desenho das configurações novas do visível, do dizível e do pensável, e, por aí mesmo, de uma paisagem nova do possível. Mas elas fazem-no na condição de não antecipar o seu sentido nem o seu efeito.

Jacques Rancière, «L'image intolérable»,
Le spectateur émancipé, Le Fabrique, 2008, Paris, pp. 108-113.

Ao pé da letra #42 (António Guerreiro)

«Será possível salvar quem corre para o suicídio?

Na semana em que decorre na cidade de Perugia um encontro com o nome de operação de emergência, Cinco dias para salvar o jornalismo, apetece recordar Hegel: “A leitura do jornal é a oração matinal do homem moderno”. Já não é possível atribuir aos jornais a função de socialização da cultura e emancipação intelectual. Mas talvez estes tenham ido longe demais, alienando-se do público culto, da “esfera literária”, no sentido que tal expressão ganhou na época do Iluminismo.


Exemplifico com o jornal que me proporciona a oração matinal, o Público. Na secção “Escrito na pedra”, citava-se na semana passada uma frase de Paul Celan: “A poesia é uma espécie de boas-vindas”. Quem conhece os textos em prosa de Celan sabe que ele não escreveu tal coisa, mas sim: “O poema é uma espécie de regresso a casa” (“Eine Art Heimkehr”). Alguns dias depois, na mesma secção, surge outra citação deturpada de W. Benjamin. Por trás destes descuidos está o pressuposto funesto de que o leitor é ignorante e nem ousa querer sair desse estado de menoridade. Daí a regra paradoxal em que vivemos: os livros e os jornais, na sua maioria, são editados para quem não gosta de ler e não aspira ao saber.»

António Guerreiro, «Ao pé da letra»,Expresso-Actual
, 4.4.2009.

Raros filmes de Abril


Unsere Afrikareise 
Peter Kubelka

1966, 13’, 16mm
Ouvir : Ver
A experiência do som no cinema
*
(prog. Ricardo Matos Cabo)

4ª, dia 1, 21h30
Culturgest, Lisboa


La mujer sin cabeza
Lucrecia Martel

2008, 87’
estreia 5ª, dia 2
14h, 16h, 18h, 20h, 22h, (00h)
Medeia King 1, Lisboa


Le tempestaire
Jean Epstein
1947, 22’, 35mm
Ouvir : Ver

5ª, dia 2, 18h30 – Culturgest


Inazuma / Relâmpago
Mikio Naruse
1952, 87’
Finalmente Naruse!
5ª, dia 2, 19h30
Cinemateca*, Lisboa

Song of Ceylon
Basil Wright
1934, 37’, 35mm
Ouvir : Ver
5ª, dia 2, 21h30 – Culturgest

Hallelujah
Mauricio Kagel
1967, 40’, 16mm
Ouvir : Ver
Sáb, dia 4, 18h30 – Culturgest


Midaregumo /
Nuvens dispersas

Mikio Naruse
1967, 108’
Finalmente Naruse!
6ª, dia 17, 19h  Cinemateca


Out of the past
Jacques Tourneur

1947, 96’
História permanente do cinema
Sáb, dia 18, 19h – Cinemateca


Yama no oto /
A voz da montanha

Mikio Naruse
1954, 96’
Finalmente Naruse!
3ª, dia 21, 19h – Cinemateca

Umberto D
Vittorio De Sica
1952, 89’
3ª, dia 21, 19h30 – Cinemateca


Midareru / Tormento
Mikio Naruse
1964, 97’
Finalmente Naruse!
4ª, dia 22, 22h – Cinemateca

Lektionen in Finsternis /
Lessons of darkness
Werner Herzog
1992, 52’
Herói independente: Werner Herzog
(prog. Grazia Paganelli)
IndieLisboa 2009*
6ª, dia 24, 22h – Fórum Lisboa


Sud pralad / Tropical malady
Apichatpong Weerasethakul
2004, 118’
Metamorfoses
(prog. Dominique Païni)
2ª, dia 27, 22h – Cinemateca



Auch Zwerge habe klein
angefangen
/
Even dwarfs started small
Werner Herzog

1970, 96’
Werner Herzog
IndieLisboa 2009
4ª, dia 29, 22h – Fórum Lisboa


Aguirre, der Zorn Gottes /
Aguirre, the wrath of God
Werner Herzog
1972, 93’
Werner Herzog
IndieLisboa 2009
5ª, dia 30, 22h – Fórum Lisboa
 

[apenas filmes vistos, sem repetições, em formatos originais]

Cinema Quarta 1, Quinta 2, Sexta 3, Sábado 4, Domingo 5 e Segunda 6 de Abril de 2009
Pequeno Auditório · 3,5 Euros (Preço único)


Ouvir : Ver
A experiência do som
no cinema

Programação: Ricardo Matos Cabo

Rameau's Nephew by Diderot (Thanks to Dennis Young) by Wilma Schoen de Michael Snow © Jeff Guess / Re:Voir


Classificação: M/12

Informações e reservas
21 790 51 55
culturgest.bilheteira@cgd.pt

A natureza das relações entre o som e a imagem no cinema foi o ponto de partida para este programa. Não é estritamente um programa sobre o som no cinema, ou sobre o desenvolvimento do sonoro, mas um percurso por diversas formas de pensar as complementaridades entre o som e a imagem; por tentativas de harmonização / conflito entre os dois elementos; finalmente, por uma série de obras muito diversas entre si que privilegiam as questões relacionadas com a visualização da experiência sonora pelo meio da imagem.


QUARTA-FEIRA 1
18h30
Histórias sonoras
Celles qui s'ent font
de Germaine Dulac, 1930, 35mm (transferido para vídeo), 5′17″, versão original
Odna (Sozinha)
de Grigori Kozintsev e Leonid Trauberg, 1931, 35mm, v.o. leg. em português, 1h20
Sozinha é um dos mais importantes filmes de ficção da transição do mudo para o sonoro. Pensado como um filme sonoro e finalmente filmado sem som, foi posteriormente orquestrado e pós-sincronizado com uma composição de Dmitri Shostakovich e complementado com diversos efeitos sonoros e alguns diálogos. Um filme notável pela forma como se mostra o contraste entre os espaços urbanos e os locais longínquos das montanhas, filmados com rigor etnográfico e um respeito pela preservação e registo dos costumes e tradições. A abrir, um dos Discos Ilustrados de Germaine Dulac, curtos filmes mudos que eram sincronizados ao vivo com música, estabelecendo um diálogo entre a imagem e o som.

21h30
Os ouvidos, mais atentos do que os olhos
Les Nuits Eléctriques
de Eugène Deslaw, 1930, 35mm, 8'10'', versão original
Weekend
de Walther Ruttmann, 1930, 35mm (gravação em DVD), v.o., 11'10''
Entuziazm (Sinfoniia Donbassa)
de Dziga Vertov, 1930 (1972), 35mm, v.o. leg. em português, 1h05
Unsere Afrikareise
de Peter Kubelka, 1966, 16mm, 12'50'', versão original, legendado em português
Um documentário de Dziga Vertov em três movimentos sobre o primeiro plano quinquenal soviético do final dos anos 20. É um trabalho de montagem e organização sonora das imagens numa crescente tensão entre o som e a imagem. O filme, redescoberto pelos movimentos de vanguarda da década de 60, é aqui apresentado no restauro feito por Peter Kubelka, que restituiu ao filme a relação original pretendida entre o som e a imagem. A abrir, um filme de Deslaw, que terá sido apresentado com acompanhamento ao vivo de Luigi Russolo, e a montagem sonora de Walther Ruttmann.


QUINTA-FEIRA 2
18h30
Já sabemos ver, mas agora vamos ouvir a erva a crescer
What the Water Said, nº 4-6
de David Gatten, 2007, 16mm, 17’
Le Tempestaire
de Jean Epstein, 1947, 35mm, v.o. francês, 22’
Looking at the Sea
de Peter Hutton, 2000-1, 16mm, 20’
O filme de Epstein é o culminar da reflexão cinematográfica do realizador e uma verdadeira revolução sonora. É a aplicação ao cinema das possibilidades expressivas e poéticas da utilização dos movimentos da imagem e do som, neste caso do ralenti sonoro. Três explorações do poder evocativo do mar e do cinema – a materialidade da acção na película dos elementos naturais no filme de David Gatten e o imagismo silencioso do filme de Peter Hutton.

21h30
A orquestração sonora
Über ‘Song of Ceylon’ von Basil Wright
de Harun Farocki, 1975, vídeo, v.o. leg. em português, 25’
Song of Ceylon
de Basil Wright, 1934, 35mm, v.o. inglês, 38’
Coal Face
de Alberto Cavalcanti, 1935, 35mm, v.o. inglês, 12’
Os dois documentários programados nesta sessão evidenciam a criatividade da Unidade de Produção Cinematográfica dos Correios Britânicos na década de 30. Coal Face prolonga a experimentação sonora de Song of Ceylon e as ideias de Cavalcanti sobre a orquestração eficaz da música e dos sons naturais ao serviço de uma maior expressividade documental. O filme de Harun Farocki é uma análise visual do filme de Basil Wright, realizada para a televisão em 1975.


SEXTA-FEIRA 3
18h30
O sentido silencioso do filme: Stan Brakhage
Carl Ruggles Christmas Breakfast
de Carolee Schneemann, 1963, 8mm (transferido para vídeo), v.o. inglês, 9’
Desistilm
de Stan Brakhage, 1954, 16mm, 7’
Scenes from Under Childhood Section #1
de Stan Brakhage, 1967, 16mm, sem som, 25’
The Riddle of Lumen
de Stan Brakhage, 1972, 16mm, 14’
Passage Through: A Ritual
de Stan Brakhage, 1990, 16mm, 50’
Poucos cineastas reflectiram de modo tão fundamental a relação do som com a imagem, influenciando de modo decisivo a sua prática artística. A adopção do silêncio e rejeição absoluta do som como princípio formal da maior parte dos seus filmes levou a uma aproximação confessa a modelos de montagem e composição próximos de uma concepção musical. Esta sessão é um percurso pela obra do realizador tendo em atenção algumas das suas colaborações com compositores como James Tenney. Passage Through: A Ritual é um dos mais singulares filmes do realizador, uma resposta a uma composição de Phillip Corner, inspirada por seu lado num dos seus filmes, The Riddle of Lumen. A abrir, um filme recentemente recuperado, o registo de uma visita da realizadora Carolee Schneemann ao compositor Carl Ruggles.

21h30
Robert Beavers
From the Notebook of...
de Robert Beavers, 1971 / 1998, 35mm, 45’
AMOR
de Robert Beavers, 1980, 35mm, 15’
Os filmes de Robert Beavers constituem um corpo de trabalho notável composto ao longo das últimas décadas. São filmes sobre o sentimento do lugar, da arquitectura e da paisagem, dos objectos e dos gestos que os produzem, filmes de um profundo materialismo que procuram uma relação imediata e concreta com o som e com a imagem. Para esta sessão procura-se destacar o trabalho de som nos filmes do cineasta, entre o som directo e os sons sugeridos, com um dos filmes que serve de introdução aos principais temas e à forma de trabalho de Beavers e um exemplo mais tardio na sua obra.


SÁBADO 4
15h30
Correspondências entre o som e a imagem
Das Tönende Handschrift
de Rudolph Pfenninger, 1929, 35mm (transferido para vídeo), v.o. leg. em português, 10'
Tönende Ornamente
de Oskar Fischinger, 1932, 16mm, 3'20''
Five Film Exercises
de John Whitney e James Whitney, 1941-1945, 16mm, 21'
Dots
de Norman McLaren, 1940, 35mm, 2'21''
Pen Point Percussion
de Norman McLaren, 1951, 35mm, v.o. inglês, 5'58''
Synchromie
de Norman McLaren, 1971, 35mm, 7'27''
Soundtrack
de Barry Spinello, 1969, 16mm, 10'
Articulation of Boolean Algebra for Film Opticals
de Tony Conrad, 1975, 16mm, 10' (excerto de 75')
A procura de uma equivalência entre o som e a imagem corresponde, na história do cinema, a um género particular de exploração das possibilidades contidas no próprio material fílmico. Os filmes apresentados nesta sessão investigam a complementaridade e interacção som/imagem, a possibilidade de tornar visíveis os sons através da síntese sonora. Inclui pequenos documentários que permitem perceber a técnica da “escrita visual” no filme dos pioneiros Pfeninger e McLaren, a ideia da ornamentação sonora em Fischinger, os espantosos exercícios visuais dos irmãos Whitney, as experiências de unidade som/imagem de Barry Spinello e um excerto de um filme de Tony Conrad que procura, de modo diverso, questionar a unidade som/imagem.

18h30
Mauricio Kagel, realizador
Symphonie Mécanique
de Jean Mitry, 1955, 35mm, 13’
Antithese
de Mauricio Kagel, 1965, 16mm (transferido para vídeo), 19’
Hallelujah
de Mauricio Kagel, 1967, 16mm, v.o. alemão, 40’
Dois filmes notáveis de Mauricio Kagel, que representam duas fases distintas da sua prática cinematográfica: Antithese, o seu primeiro filme é uma aproximação cinematográfica ao plano teatral e de registo de uma composição e Hallelujah é já uma composição para cinema na equivalência total entre a imagem e o som. Em complemento, a pesquisa visual e sonora de Jean Mitry e Pierre Boulez.

21h30
A voz: série, repetição
Synch Sound
de Taka Iimura, 1975, 16mm, 12’
Paul Celan Liest
de Ute Aurand, 1985, 16mm, v.o. inglês, 5’
Picture and Sound Rushes
de Morgan Fisher, 1973, 16mm, v.o. inglês, 11’
Hapax Legomena III: Critical Mass
de Hollis Frampton, 1971, 16mm,v.o. inglês, 25’
Done To
de Lawrence Wiener, 1974, 16mm (transferido para vídeo),v.o. inglês, 20’
Episodic Generation
de Paul Sharits, 1978, 16mm, v.o. inglês, 30’
Sessão organizada segundo um princípio comum a todos os filmes: a exaustão de uma forma através da repetição e da reverberação. O filme de Iimura é um jogo formal entre o tempo e os elementos sonoros e visuais de uma banda de som. Paul Celan Liest é uma visualização da voz de Paul Celan a ler três poemas. Morgan Fisher explora as ironias que surgem da normatividade dos processos técnicos e industriais no cinema, esgotando as possibilidades de relação som / imagem. Os filmes de Frampton e Wiener colocam em cena uma batalha de dissonâncias e cortes sonoros, numa estrutura de repetição e exaustão metafórica entre o material fílmico e o que vemos nas imagens. Finalmente, o filme de Paul Sharits reflecte o interesse do autor pelo som, na versão para ecrã de uma instalação sobre o eco e a perda da definição da imagem e do som pela sobreposição.


DOMINGO 5
15h00
Michael Snow e as relações som – imagem
Finding His Voice
de F. Lyle Goldman e Max Fleisher, 1929, 35mm (transferido para vídeo), 10’39’’
Rameau’s Nephew by Diderot (Thanks to Dennis Young) by Wilma Schoen
de Michael Snow, 1974, 16mm, v.o. inglês, 270’
Uma série de tentativas para realizar um verdadeiro “filme falado” da autoria de Wilma Schoen (alter-ego do realizador), tendo como actores Annette Michelson, Nam June Paik, entre muitos outros. O resultado é um vigoroso diálogo entre o som e a imagem, composto por vinte e cinco sequências sonoras com durações que vão dos 4 aos 55 minutos, separadas por vinte e sete abstracções cromáticas e sem qualquer sequência narrativa entre si. Desde o seu primeiro filme que Michael Snow se concentrou na questão da composição de relações fortes entre o som e a imagem. Rameau’s é a sua composição mais radical nessa sua reflexão sobre a natureza do som no cinema e o seu confronto com as mais variadas modalidades da imagem (da imagem abstracta à representação “realista” e da linguagem enquanto categoria da representação. A introduzir, uma animação sobre um filme mudo que procura a sua voz.


SEGUNDA-FEIRA 6
18h30
Uma sinfonia urbana
Sound Track
de Guy Sherwin, 1977, 16mm, som, 9’
Aru Kikanjoshi (Um Assistente de Maquinista)
de Tsuchimoto Noriaki, 1965, 35mm, 37’, versão original, legendado em inglês
Dokyumento Rojo (Na Estrada: um documento)
de Tsuchimoto Noriaki, 1965, 35mm, 54’, versão original, legendado em inglês
Na Estrada: um documento é apenas o segundo documentário do realizador e é bastante diferente dos filmes que realizou desde então (sobretudo centrados na tragédia ambiental e humana de Minamata). É um retrato da vida de um taxista na Tóquio de 1963 e um documento sobre as precárias condições de trabalho na cidade em transformação. Na atenção que presta aos gestos e sons da cidade, o filme constitui uma espantosa sinfonia urbana. Em complemento, o primeiro filme do realizador e a abrir a sessão um filme de Guy Sherwin, uma filmagem dos carris de uma ferrovia cuja imagem transborda para a banda sonora, sendo o som o resultado directo daquilo que vemos projectado.

21h30
Olhar e ouvir: James Benning
RR
de James Benning, 2007, 16mm, 112’
RR é composto por 43 planos fixos de comboios de mercadorias, cuja duração é determinada pelo tempo que demoram a passar na imagem. Como sempre no trabalho do realizador norte-americano, o filme joga-se no equilíbrio entre a observação de um dado espaço/tempo e as expectativas provocadas pelo reconhecimento dessas imagens e sons quando contrastados com a história geográfica, política e social dos Estados Unidos.








Ao pé da letra #41 (António Guerreiro)

«O demónio da fraseologia tem efeitos perversos

De Hannah Arendt, por mediação jornalística, chega até nós, em ocasiões favoráveis, muita “banalidade do mal”. A última ocasião maligna foi oferecida pelo austríaco Josef Fritzl. Banalizadas e quase sem mal, a noção de Arendt e toda a fraseologia que geralmente a acompanha já só nos conseguem fazer pensar que também há, em larga escala, uma banalidade do bem – o demónio da reversibilidade está sempre à espreita. Ao utilizar essa noção, a filósofa alemã estava a deslocar o conceito kantiano de “mal radical”.


Tendo assistido ao julgamento de um funcionário nazi, Arendt chegara à conclusão de que os actos eram monstruosos mas o responsável por eles era completamente vulgar, igual a toda a gente, sem nada de demoníaco, mais caracterizado pela falta de pensamento do que pela estupidez. Utilizando o qualificativo “banal” onde todos esperavam ver “radical” (e, desse modo, dando origem a uma enorme polémica), H. Arendt entendeu que “radical” é o que tem a ver com a profundidade das raízes, da vontade perversa e da maldade essencial das paixões. O que não era o caso daquele medíocre chamado Eichmann. E quanto a Josef Fritzl?»

António Guerreiro, «Ao pé da letra», Expresso-Actual
, 28.3.2009.


Kunst der Vermittlung
Aus den Archiven des Filmvermittelnden Films
Art of Commenting
From the Archives of Movie-Commenting Movies
http://kunst-der-vermittlung.de



The project of »Entuziam e.V. Freunde der Vermittlung von Film und Text«, which is funded by the German »Kulturstiftung des Bundes« and the »Bundeszentrale für Politische Bildung«, deals with the tradition and actual state of audiovisual tools and films and works of art for analysing cinema's history and aesthetics. We try to collect, portray and list films commenting on films and make available as much information as possible. In addition we have prepared 13 programmes in Vienna, Berlin, Cologne and Bremen with film-commenting movies and with international guests who are working in this field as authors, directors, producers, critics. The guests include Alain Bergala, Gustav Deutsch , Jean Douchet, Harun Farocki, Tag Gallagher, Alexander Horwath and many others.

We are mainly focussed on five modes of production and distribution:
– »Television«, which has, at least here in Germany and its strong PBS realm, a long tradition of producing movie-commenting movies, beginning in the 60's up till the now.
– »Art« where from the beginning of the modernist movement movies like Bruce Connor's »A Movie« deal with film and it modes of production and representation. This includes »material«-movies as well as found-footage pieces.
– »DVD« and its diverse practices of re-presenting existing material and also since the end of the 90ies producing supplementary films (bonus, featurette, interviews, slide-shows, audio-commentary tracks, etc.).
– »Internet« and the practice of »user generated content«, distributed through platforms like »youtube« and »vimeo«, containing a wide range of aesthetic approaches.
– »Education«, which was and is, at least in France, a major force for the production of film-commenting films. For example directors like Jean Eustache, Marc Allegret and Eric Rohmer made films about french film history during the 60ies, Jean Douchet directed movies about classic movies during the 80ies and critics like Alain Bergala are responsible for a wide range of analytical and educational movies distributed through DVDs from the end of the 90ies up till now.

Through the means of a cross-referencing filmography we want to show and expand the possibilites of artistic approaches, research and education on film-history and aesthetics. Since we are only at the start of working on this kind of filmography the results are fairly small up till now.


Our next three programmes in Berlin are about
experimental movies on movies (with Dirk Schaefer) on March 27 at Kino Arsenal, Berlin:

Bruce Conner: A MOVIE USA 1958
Standish Lawder: COLOR FILM USA 1971
Abigail Child: COVERT ACTION USA 1984
Matthias Müller, Christoph Girardet: PHOENIX TAPES, »Bedroom« chapter GB/D 1999
Peter Tscherkassky: INSTRUCTIONS FOR A LIGHT AND SOUND MACHINE AUS 2005
Dirk Schaefer: VORFÜHRKOPIE D 2007
– internet-related forms of production and distribution (with Sebastian Lütgert from Berlin and Kevin B. Lee from NYC) and
– film history (with Tag Gallagher).

At the end of the project in July there will be a program with Jean Douchet from Paris.



Ao pé da letra #40 (António Guerreiro)

«O Dia Mundial da Poesia é uma invenção divertida

Hoje, 21 de Março, é o Dia Mundial da Poesia. Esta data comemorativa está para as coisas da poesia como o Movimento Nacional Feminino estava para o teatro de operações da guerra colonial: é uma manifestação de voluntarismo e boa vontade que não interfere no curso dos acontecimentos. Sendo inócua, comporta no entanto o risco de insinuar que a poesia é uma causa que é preciso defender através dos meios da promoção cultural.


Ora, ao contrário do que parece à primeira vista, a poesia está muito mais protegida das actuais circunstâncias adversas do que, por exemplo, o romance. O romance como género literário tornou-se vítima do seu próprio sucesso e ficou enredado nas estratégias fatais da indústria editorial. Tudo é como sempre foi: há bons romances e maus romances; há boa poesia e má poesia. Mas o que é hoje diferente é a produção parasitária com que tem de se defrontar aquilo a que se chama ‘ficção’ nos suplementos literários. Um exemplo eloquente desta hipertrofia é a caracterização ad hoc que, para efeitos de recensão e divulgação, faz de tudo o que não é romance algo para o qual só há uma definição negativa: ‘não-ficção’.»

António Guerreiro, «Ao pé da letra»,Expresso-Actual
, 21.3.2009 [na mesma edição, um outro artigo mais longo sobre «A hipótese comunista».



Godard on September 11th

Ao pé da letra #39 (António Guerreiro)

«A diferença entre cultura e natureza é insolúvel

Na discussão sobre os casamentos homossexuais emerge constantemente a velha e insolúvel oposição entre natureza e cultura. De um lado, estão os que tentam encontrar uma lei natural, uma determinação da natureza, a-histórica, enquanto razão última de instituições e comportamentos; do outro, os que identificam como construção cultural e social (e, portanto, ideológica) aquilo onde os outros só vêem natureza.  


Podemos mesmo dizer que passa por aqui a linha de fronteira mais marcada entre um pensamento de direita (fixado em fundamentos naturais) e um pensamento de esquerda (que pretende dismistificar e pôr em relevo os processos culturais). Invocar a ciência para resolver algumas questões não ajuda nada, como sabemos pela politização da biologia no século XX (nomeadamente a que foi realizada pelos nazis). E se a diferença entre homem e mulher é, no fundo, a matriz de todas as diferenças, quando passamos para noções como ‘masculino’ e ‘feminino’ já estamos no campo ideológico das convenções e das aprendizagens, como a história dos costumes não pára de nos ensinar. E se o sexo, seja ele homo ou hetero, não tivesse nunca nada de natural?»
António Guerreiro, «Ao pé da letra»,Expresso-Actual, 14.3.2009.


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